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A importância da manutenção contínua na malha rodoviária do RS

22/10/2026

Autor: Guillherme

Artigo de Rafael Sacchi para a Revosta INFRA RS de Set/Out/Nov de 2026.

A infraestrutura viária do Rio Grande do Sul vive um momento decisivo, que exige visão estratégica e ação imediata do poder público. O estado necessita de investimentos da ordem de R$ 1,2 bilhão por ano exclusivamente para a manutenção de sua malha rodoviária pavimentada — estimativa alinhada ao manual de custos rodoviários do DNIT (de R$ 90 mil a R$ 130 mil por km por ano), com ajustes à realidade do nível de serviço atual da malha rodoviária gaúcha.

Esclarecendo: nos últimos meses, o preço do ligante asfáltico subiu mais de 40%, e com esse encarecimento abrupto, os valores referenciais do DNIT também sofreram ajustes significativos, uma vez que os ligantes já representavam algo como 30 a 40% do valor em questão.

Como a malha viária gaúcha está bastante degradada em função da sucessão de eventos climáticos extremos que assolaram o RS nos últimos anos — mesmo com o robusto (porém ainda insuficiente) investimento do governo do estado nos últimos anos —, os valores referenciais precisam ser majorados para que a malha possa, primeiramente, ser recuperada a um nível de serviço aceitável para o trânsito seguro, e após, mantida neste patamar. Nesses termos, chegamos a investimentos da ordem de R$ 1,2 bilhão por ano para conservação dos aproximadamente 7.300 km de rodovias pavimentadas.

Diante dessa alta nos preços, investir na recuperação contínua de nossas estradas tornou-se uma urgência econômica indiscutível. Quanto mais o tempo passa sem o investimento adequado, mais a deterioração avança. A simples manutenção preventiva acaba se transformando em obras complexas de restauração profunda, multiplicando os custos para os cofres públicos.

Com o aporte contínuo do montante necessário, seria possível manter a malha em nível regular a ótimo, reduzindo o custo logístico gaúcho dos atuais 22% para cerca de 18% e equiparando o estado à média nacional. Trata-se de um ganho vital para uma região estruturalmente distante dos grandes centros fornecedores e consumidores.

Apesar do esforço do governo estadual, o volume severo de chuvas em 2023 e 2024 acelerou o surgimento de patologias e a destruição dos pavimentos — cenário que pode se agravar nos próximos meses com a confirmação do super El Niño, elevando a necessidade de aportes em recuperação para R$ 2 bilhões, em uma estimativa conservadora.

Para a indústria da construção pesada, o estado precisa equilibrar os esforços entre reconstruir as estradas destruídas pelas recentes catástrofes climáticas e garantir a manutenção preventiva contínua da malha existente. Não adianta recuperar apenas as rodovias severamente atingidas e negligenciar as que já sofrem com o desgaste natural do tempo. A escassez de recursos preventivos encarece as reparações futuras e compromete a eficiência no escoamento da produção gaúcha.

Diante do ambiente de severa restrição fiscal, o SICEPOT-RS defende que o R$ 1 bilhão previsto para o Bloco 1 de concessões seja reservado para a manutenção de rodovias e demais contratos de construção, bem como a duplicação da RS-118 no trecho entre Viamão e Gravataí, fundamental para a mobilidade e logística da Região Metropolitana e, por conseguinte, para a economia gaúcha, uma vez que 36% do PIB gaúcho advém da produção da Região Metropolitana.

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